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Discurso jornalístico na web

Projeto de Pesquisa

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As Mídias sociais e os novos ambientes virtuais de comunicação e informação: novos formatos e linguagens jornalísticas.

Resumo

Esta pesquisa pretende apresentar os diversos formatos e linguagens do discurso jornalístico  que constituem as chamadas mídias sociais.

A abordagem terá como foco a análise da interatividade entre os interlocutores do processo comunicativo e informacional, a partir da discussão sobre os critérios da noticiabilidade e dos aspectos informacionais e colaborativos do discurso jornalístico no ambiente web.

Palavras-chave: mídia social e jornalismo.

Justificativa

O processo evolutivo das tecnologias da comunicação e informação e, conseqüentemente, das mídias, somente pode ser compreendido a partir de uma perspectiva histórica, com início no século XV, pelo menos. Ou seja, do surgimento da chamada comunicação de massa que predominou até meados do século XX e o surgimento das novas mídias digitais, no limiar do século XXI, e o processo de evolução tecnológica dos meios computacionais e informáticos, implementados sobretudo a partir do uso da internet de maneira mais popular.

Nesse cenário de profundas transformações paradigmáticas, sociais e culturais, no que se refere especificamente a formação de novas redes sociais de relacionamento, de comunicação e de informação, faz-se necessário o aprofundamento teórico e conceitual desse tema, no campo da comunicação social, como forma de contribuir com um olhar mais reflexivo e crítico acerca das práticas comunicacionais e informacionais que se proliferam nos mais diversos formatos no ambiente virtual e de como esses formatos e linguagens estão se apresentando no campo do jornalismo  na World Wide Web, constituindo as chamadas mídias sociais.

Ao considerarmos como marco tecnológico dessa re-evolução da era informacional a possibilidade de uma comunicação virtual, atemporal, interativa, dialógica e à distância, percebemos que a utilização da internet e dos recursos hipermidiáticos desse ambiente virtual de comunicação e informação possibilitou mudanças radicais, em termos das alterações estruturais do sistema social das mídias, especificamente, no campo do jornalismo  que  é objeto desse estudo.

Além disso, provocou profundas modificações culturais nos relacionamentos humanos, interpessoais, comerciais, intelectuais, afetivos, etc.

Enfim, a re-evolução tecnológica pressupõe a transformação, a mutabilidade das coisas, das espécies, e para aproximar mais do tema, das mídias e dos formatos e linguagens jornalísticas como: os blogs,os portais de notícia, os microblogs,  o orkut, o twitter, o facebook, entre outros.

A re-evolução dos meios de comunicação de massa, a saber, o surgimento, a proliferação e a popularização da internet trouxeram diversas possibilidades de se resgatar o caráter dialógico do processo comunicativo e tornar a informação mais democratizada tanto no aspecto de sua produção, quanto de sua distribuição, agora em rede e escala mundial.

Identificamos a internet e o celular como ícones dessa revolução, bem como  as chamadas mídias móbile, ou móveis: palms, laptops, ipod, mps e todos os dispositivos digitais disponíveis, hoje em dia, que garantem o acesso aos novos ambientes virtuais de informação e comunicação. Contudo, o foco dessa análise será o ambiente web.

Com esse estudo pretendemos explorar não apenas os aspectos tecnológicos, mas também os aspectos sócio-culturais dessas mudanças no campo da comunicação, a partir da abordagem do fenômeno de convergência das mídias tradicionais e analógicas para o ambiente digital e hipermidiático das mídias sociais e, ainda, elencar os novos formatos e linguagens, atores e ambientes do discurso jornalístico  no ambiente web.

Outro aspecto que será abordado, a reboque dessa análise, são as mudanças ocorridas na indústria da mídia. Como os grandes conglomerados de comunicação, no Brasil e no Mundo, estão se adaptando às mudanças tecnológicas e mercadológicas oriundas do surgimento e proliferação da internet e das mídias digitais?

Considerando esse cenário e a formação das redes sociais de comunicação e informação que se configuram de maneira identitária, podemos levantar a seguinte hipótese inicial: a comunicação do século XXI é inexoravelmente digital e por isso tornou-se efetiva e globalmente conectada.

Tal aspecto rompe definitivamente com a relação tempo-espaço nos processos de produção, circulação e recepção de mensagens simbólicas, alterando aspectos tradicionalmente institucionalizados da produção, redação, edição, publicação, circulação, audiência e consumo dos receptores, agora co-produtores dos discursos jornalísticos.

A cultura e as relações humanas sejam elas pessoais, afetivas, comerciais ou de outra natureza tornam-se cada dia mais mediatizadas ou mediadas pelos meios de comunicação, especificamente, pela internet.

Profundas modificações ocorreram com as redes de comunicação e as relações pré-existentes de poder na indústria da comunicação, se considerarmos as possibilidades de conectividade e interatividade inerentes ao meio digital.

Se por um lado as grandes corporações midiáticas estão, através de fusões empresariais, se proliferando pelo globo, por outro assistimos a emergência de novas redes comunicacionais e novas formas de sociabilidade como o orkut, MSN, My space e comunidades virtuais das mais diversas, com identidades próprias e produção de conteúdo comunicacional e informacional de forma autônoma e sob demanda, ou seja, de acordo com interesses cada vez mais específicos de grupos sociais ou nichos de mercado.

Atores que tradicionalmente não tinham voz nos meios de comunicação de massa tornam-se não só interlocutores dos processos de comunicação, mas, mais que isso, tornam-se produtores e distribuidores de conteúdo.

Esses novos ambientes virtuais desconstróem velhos paradigmas da indústria midiática como: o copyright ou direito de autor, o controle dos conteúdos e sua comercialização, pois são cada vez mais livres e gratuitos, sem falar nas possibilidades de produção coletiva de informação, conhecimento e formação de comunidades.

Finalizando, partimos do pressuposto de que os novos ambientes virtuais de comunicação, também chamados de mídias sociais promovem a aceleração da divulgação de idéias e a absorção instantânea de informações e sensações o que favorece a construção coletiva de conteúdos jornalísticos nos mais diversos formatos.

A rede torna-se assim o ambiente de mediação entre os atores sociais e comunicativos: anunciantes, leitores, consumidores, corporações, internautas, jornalistas,  todos passam a compartilhar idéias, num constante “boca a boca” virtual.

Por fim, estudaremos as seguintes categorias analíticas nos formatos de webjornalismo: hipertextualidade, interatividade, multimidialidade, personalização, memória e atualização contínua, para compreendermos os novos formatos e linguagens jornalísticas na internet.

Objetivos

Objetivo geral

Compreender como se dão os novos processos comunicacionais e informacionais no ambiente web a partir dos novos formatos e linguagens jornalísticas .

Objetivos específicos

Verificar a linguagem jornalística utilizada na internet;

Identificar os diversos formatos de mensagens  noticiosas no ambiente virtual;

Analisar a interatividade entre os interlocutores do processo comunicativo e informacional;

Conceituar mídias sociais.

Revisão Bibliográfica

CONCEITO DE MÍDIAS SOCIAIS:

A literatura acadêmica ainda não apresenta um conceito que defina claramente as mídias sociais. Estudiosos das novas mídias têm atribuído várias denominações para explicar as chamadas mídias sociais, que são consideradas por muitos o fenômeno comunicacional do século XXI. Mídias digitais, comunidades digitais ou virtuais e redes sociais são apenas exemplos dos nomes a elas atribuídas.

Entretanto, estes abarcam apenas algumas das características destas novas mídias tais como: potencial de interação, linguagem, suporte, papéis dos sujeitos comunicativos, entre outros.

Contudo, ainda falta um conceito que abarque toda a complexidade das mídias sociais, cujos exemplos mais popularmente conhecidos são: o Orkut, o Twitter, o flicker, o MSN, Gtalk, My Space, os blogs, entre outros.

Por isso apresentamos nesta proposta de pesquisa uma primeira tentativa de conceituação das mídias sociais.

Para isso partimos da definição de redes sociais que, segundo Marteleto (apud Tomael,2001, p.72), representam “[...] um conjunto de participantes autônomos, unindo idéias e recursos em torno de valores e interesses compartilhados”.

Com o advento das novas tecnologias, a noção de redes sociais é re-significada para abranger as relações interativas que são construídas pelos sujeitos comunicativos nos ambientes virtuais.

Nestes, as redes são estabelecidas a despeito da proximidade geográfica e a despeito do tempo  antes determinantes para a construção dos laços sociais.

E, para que as redes sociais virtuais sejam criadas os sujeitos apropriam-se da internet como instrumento de mediação de suas práticas comunicativas.

As chamadas mídias sociais configuram-se, portanto, como ambientes que propiciam os elementos estruturantes dessa relação, a saber: a interatividade e a identidade cultural.

As novas mídias sociais constituem-se assim em meios ou “locus” que propiciam o desenvolvimento de novas redes sociais constituídas por sujeitos que se aproximam por compartilharem os mesmos valores, interesses, problemas, causas e por terem um domínio mínimo das ferramentas interativas da internet.

Sendo assim, alguns atores do campo da comunicação balizam o referencial teórico desse estudo sobre o aparecimento constante de novos formatos e linguagens jornalísticos derivados do uso da plataforma digital, possibilitando-nos apresentar questionamentos sobre as profundas modificações no processo comunicativo interativo no ambiente web e o conseqüente rompimento com o paradigma da comunicação unilateral entre emissor-receptor através das mídias sociais, bem como as constantes trocas de informação entre, escritores, leitores, jornalistas, usuários da web, internautas, que se encontram em comunidades e ambientes virtuais de comunicação e tornam-se  sujeitos comunicativos em diferentes redes sociais de produção de notícias e conteúdos jornalísticos nos mais variados formatos digitais. CASTELLS, explica:

As fontes culturais da Internet não podem ser reduzidas, porém, aos valores dos inovadores tecnológicos. Os primeiros usuários de redes de computadores criaram comunidades virtuais (…) e essas comunidades foram fontes de valores que moldaram comportamento e organização social (…), desenvolveram e difundiram formas e usos na rede: envio de mensagens, lista de correspondência, salas de Chat, jogos para múltiplos usuários, conferências e sistema de  conferência(…) essas comunidades trabalham com base em duas  características fundamentais. A primeira é de valor da comunicação livre, horizontal(…), o segundo valor  compartilhado que surge das comunidades virtuais é o que eu            chamaria formação autônoma de redes. (CASTELLS, 2003, p 46)

Borges (2005) complementa,

(…) a Internet tem como uma de suas principais características a interatividade, onde o usuário não pode ser considerado um simples receptor de mensagens, pois ele passa a ser um produtor, numa atitude mais ativa do que o telespectador, o ouvinte e o leitor.  (BORGES, 2005, p.10)

Assim, os conteúdos jornalísticos que na comunicação de massa eram comoditizados e controlados pelas grandes corporações do setor da comunicação, na era da comunicação digital tornam-se colaborativos e compartilhados em velocidade e abrangência nunca vistos.

O fenômeno da comunicação digital é recente, em termos da história da comunicação, podemos identificar novos formatos e linguagens jornalísticas, na web, a partir da primeira década do século XXI, constituindo as chamadas mídias sociais. Entretanto, nos reportaremos a teóricos clássicos da comunicação, para balizar nossas análises.

São eles: o teórico da comunicação Marshal McLuhan que viveu na década de 60 e escreveu sobre o uso das tecnologias de comunicação como extensão dos sentidos humanos e sobre a relação entre Meio de comunicação e Mensagem, de forma visionária e de certa maneira antecipando através do conceito de “aldeia global” o que a globalização e a evolução tecnológica dos meios de comunicação, da era eletrônica e digital possibilitariam em termos da comunicação instantânea e em tempo real.

Vale dizer, que McLuhan serve de base filosófica para pensar as questões contemporâneas da comunicação digital e hipermidiática, já que seus pensamentos originais faziam referência, respectivamente, à imprensa escrita e à televisão.

Balizamos, nossas reflexões também, no pensamento do filósofo francês contemporâneo Pierre Lévy, que escreve sobre as mudanças antropológicas que têm ocorrido como impacto da Internet e das novas mídias na vida pessoal e coletiva das pessoas.

Lévy (1993:173) define o ambiente que nos instiga essa reflexão teórica:

Uma imensa rede loucamente complicada, que pensa de forma múltipla, cada nó da qual é por sua vez um entrelace  indiscernível de partes heterogêneas, e assim por diante em uma descida fractal sem fim. Os atores dessa rede não param de  traduzir, de repetir, de cortar, de flexionar em todos os sentidos aquilo que recebem dos outros.

Neste novo ambiente de produção multifacetada e amplamente participativa, verifica-se uma significativa mudança no processo de produção jornalística  visando a uma adaptação ao princípio da troca discursiva da internet.

Por esta razão, de acordo com Palácios (2003: 16) “importa buscar compreender os modos de articulação e transformação das características dos múltiplos suportes existentes, dentre os quais o on-line, confrontando-os com as práticas que efetivamente têm lugar no cenário da produção jornalística contemporânea”.

Neste sentido, autores como Nelson Traquina e Jorge Pedro Sousa que fazem uma reflexão sobre a natureza da prática jornalística constituem-se em referências fundamentais para uma análise dos impactos das novas tecnologias no fazer jornalístico.

Para Sousa (2002)

“(…) há a considerar que alguns novos meios jornalísticos e “para-jornalísticos” on-line podem estar transformando esse estado de coisas. Se bem que parte da informação jornalística on-line seja de cariz hierárquico e seletivo, resultando da aplicação das práticas tradicionais da comunicação jornalística à internet, existem experiências interessantes de publicações (ou ciberespaços ?) que resultam da colaboração em rede on-line de “jornalistas-cidadãos”: todos os colaboradores podem produzir informação e todo os colaboradores a podem consumir. (…)podem interagir permanentemente uns com os outros, o que permite o debate livre (SOUSA, 2002: 18-19)”.

Vilches (2002) ao analisar a dinâmica da interação dos sujeitos e  as novas formas de consumo dos produtos jornalísticos  no contexto das novas tecnologias afirma que :

“o espectador transforma-se no novo usuário que acessa a rede para buscar por sua própria conta tudo de que necessita. Essa nova experiência permite ao usuário desprender-se da massa indiferenciada da audiência, para entrar em contato com outros usuários e outras formas sociais de consumo ativo. (VILCHES, 2001:21)”.

Essas novas formas de consumo da mídia implicam em que os profissionais do jornalismo  no século XXI devam pesquisar, produzir e disseminar mais informações levando em consideração as trocas que estabelecem com o público leitor .

O jornalismo passa a ser  uma atividade desenvolvida em uma via de mão dupla em que os profissionais fornecem e recebem informação para e de um público ativo e participativo e não mais passivo como víamos na tradicional comunicação de massa do século passado.

E é justamente por isso que as mudanças mais significativas nos critérios de produção de conteúdo informacional e comunicacional devem-se ao fato de que na produção realizada nos novos ambientes digitais o conteúdo passa a ser produzido mais em função do tempo do que da obediência às normas técnicas da produção jornalística.

Essas transformações podem ser visualizadas nos portais de notícias, blogs, miniblogs (twitter), fotologs, mídias para celular etc e  são objeto de estudo da pesquisa cujo projeto apresentamos.

Materiais e Métodos

Nossa reflexão consiste na busca por uma compreensão teórica das novas práticas comunicacionais e informacionais que tecem a rede social de comunicação e informação na web, através de uma pesquisa de cunho exploratória e qualitativa, a partir de uma perspectiva histórica, tendo como marco a popularização da internet e a proliferação dos novos ambientes virtuais e interativos de comunicação e a diversificação dos formatos e linguagens jornalísticos e publicitários que resgatam o cariz dialógico da comunicação.

Para realização dessa pesquisa não será necessário o aporte de materiais específicos, visto que a pesquisa de campo será feita virtualmente.

Cronograma

Procedimentos 2010
Semestres
Revisão da bibliografia X
Criação do Blog e publicação periódica do processo de investigação x x
Análise dos dados e vinculação com a bibliografia x
Redação do relatório da pesquisa e publicação dos resultados com o lançamento do livro. x

Produtos esperados

Criação de um blog para o acompanhamento do processo da pesquisa contendo informações de todas as etapas constantes no cronograma acima.

Publicação de um livro com os resultados da pesquisa.

Referências Bibliográficas

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CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede – a era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v.1.

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___________________Teorias do jornalismo:porque as notícias são como são. Florianópolis: Insular, 2005.

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VILCHES, Lorenzo. A migração digital. São Paulo: Edições Loyola. 2003

Escrito por blogjor

março 20, 2010 às 6:17 pm

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